A vontade era latente. Diariamente.
Chegava de manhã, com o primeiro abrir de olhos, e dormia todos os dias no mesmo mundo de devaneios, pensamentos e locais marcados no travesseiro. "tem que ser esse, já tem o lugar certo da minha cabeça".
E a na cabeça, sonhos, vontades, desejos, realizações, sucessos e insucessos.
Vontade de tomar rumos diferentes. Ser árvore ou pássaro? No final, o que contava era sempre o tal banco para se assentar, no fim do dia.
Não havia um.
Os que pensava em construir, se desfaziam por falta de matéria-prima. Ou de amor, por assim dizer.
No fundo, sabia do que se tratava, do que queria, como seria. Mas, de cansaço vencido e de coração carregado, não acreditava em nada.
Nada.
Naquele dia, só precisava de um "sim". Aqui ou na China.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
No mesmo travesseiro
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Pra sempre?
Quando a menina entrou aqui para ler o que eu tinha escrito por ela, depois
de tantos meses, ela relembrou a dança e o chocolate que dividiram naquele dia,
na festinha.
Não era isso que ela queria. Ela veio aqui para ler que o amor tinha morrido
e que o mar levou tudo hoje de manhã. Mas ai eu dificultei a vida da moça -
afinal, para isso servem os narradores-observadores: a gente sempre insere uma
coisinha a mais na história pra ver se fica mais emocionante.
Porém, esta história não precisava de mais emoções. "Eu não vou
aguentar", pensava a menina. Mas, o que ela não sabia, era que a história
ainda não tinha acabado e que eu, a malvada narradora-observadora, havia
reservado um final emocionante.
Muitas coisas aconteceram nestes meses em que a menina dançou com o rapaz na
festinha e hoje. Houve viagem feita, viagem refeita, viagem aproveitada, viagem cancelada. Houve
briga, reconciliação e amor, muito amor. Surpresas, passeios, praia, mar,
piscina, meditação e muitas outras coisas eles fizeram ao som do Aqualung...
muitos carpaccios e muito macarrão. E chocolate. E, na cabeça dela, eles eram
felizes. Era o final feliz que eles tanto esperavam.
Mas o rapaz deixou o mal entrar. Um mal que causou muitos outros males. Mexeu
amizades, mexeu amores, mexeu confianças e mexeu mágoas. As mágoas tomaram
proporções gigantes e a menina não via outra alternativa senão deixar o mal se
instalar e se afastar daquilo tudo. Ele estava lutando com todas as forças para
que isso não acontecesse, mas ela, no fim das contas, tinha cansado. Ela
simplesmente cansou de lutar.
E ela só foi perceber mais tarde que afastar-se do mal tinha feito um bem
danado a ela. Ela ganhou dinheiro, conheceu pessoas, fez amigos, viveu sem
tensão. Ela não sofreu, de verdade. Ela achava que a vida tinha melhorado sem
ele. E, quando a noite vinha, ela sentia falta do abraço, às vezes, e quando o
domingo chegava, ela sentia falta do banho de mar juntos, mas nunca havia
derramado uma lágrima por isso. Na verdade, ela não sofria. "Já passei da
idade. Sofrer por amor é muito anos dois mil...", pensava. E ela,
realmente, não sofria.
Mas, o problema não era nada disso. Ela tinha certeza que ele
voltaria. Ela tinha certeza que ele ia perceber, mais cedo ou mais tarde, a
merda que tinha feito. Ela tinha certeza - e os astros confirmavam - que tudo
isso ia passar, e que, por mais loucuras que ele estivesse fazendo (falava-se à
boca pequena que ele andava fazendo besteiras nos negócios e na vida), ele iria
procura-la. Isso a atormentava. Mais cedo ou mais tarde, iria acontecer e,
desde já, ela já brigava com seu bom senso. “Não posso, não devo...”, se
martirizava. O problema era que, no fundo, bem lá no fundo, ela queria. E
queria muito, e sabia que o certo era não ceder, mas não sabia se conseguiria.
A menina – pobrezinha! – tentava compreender os sonhos, os avisos, a ligação,
tudo. Ele havia deixado o mal entrar. E o mal tomou conta, montou morada, abriu
rombos e buracos, e estava acabando com tudo de bonito que havia...
A menina não entendia nada, não entendia o porquê que suas vidas eram tão
ligadas, tão conectadas...
Tinha apenas uma certeza: o mal ia ter fim.
Mas será que eles iam viver felizes para sempre?
sexta-feira, 20 de abril de 2012
A way out
A vida das meninas é muito complicada. Além de tudo o que já passam - menstruam, choram em filmes, quebram a unha, engravidam, tem que se preocupar com roupa e cabelo - ainda tem que lidar com a indecisão dos meninos.
Por isso, a narradora observadora deste blog decidiu ajudar as meninas e, por hoje, vai achar um rapaz para inserir nesta pequena historinha.
O rapaz do conto de hoje era o sonho de qualquer menina. Mais do que tudo, era um bom rapaz, um bom filho, e quiçá seria o bom marido que as mães sempre sonharam. O defeito? Era cobiçado por todas, exatamente pelos motivos acima. Aquela menina que estava pensando na varanda, no outro dia, o conheceu em uma festinha, através de uma amiga dos dois em comum. A conexão foi rápida - eles tinham muito em comum. Os dois haviam morado fora, falavam as mesmas línguas, gostavam dos filmes e livros e de viagens... de cara, já marcaram uma viagem pra Cuba. Quando seria, eles, claro, não sabiam, mas o desejo estava ali, no ar, com gosto de "quero ir, vamos agora?"
Eles riram juntos, conversaram juntos, dançaram, dançaram, dançaram... e claro, a vontade falou mais alto. "vamos dividir um chocolate?" E foi o melhor chocolate que eles dividiram na vida.
A cumplicidade foi ganhando espaço... eles se falavam todos os dias, se viam quando dava (os dois eram muito ocupados, gente), riam, riam, riam....
Ele era divertido, inteligente, envolvente... era sexy. E era lindo, o rapaz desta história. O jeito que ele falava era tão peculiar, que a menina às vezes esquecia do mundo e só pensava: "meudeusdocéu, como ele reparou em mim?" (sério, às vezes eu a via se perguntando). Quando ela o beijava, parecia que o mundo ganhava outra cor. um vermelho pecado, paixão, intenso, forte.... um vermelho almodóvar.
A menina vai entrar de novo com seus pensamentos na história, pois, afinal de contas, o rapaz apareceu aqui por causa dela. Ela o olhava e, jurava não saber como aquilo tudo estava acontecendo com ela. Realmente, a sorte havia lhe sorrido - ela só não sabia como sorrir de volta. Ele era um rapaz cobiçado e isso a assustava... (ela sabia o tanto de ciúmes que podia sentir de alguém). Além disso, havia tão pouco tempo para tanta euforia, tanta esperança... "tu és muito intensa, mulher", dizia ela a si mesma. Porém, duas coisas não saíam da cabeça confusa da menina: ela gostava do perigo. "que droga", suspirou. ela tinha se dado um prazo pras coisas acontecerem, e o prazo estava chegando ao fim. Ela não tinha a mínima ideia do que iria fazer, e isso a incomodava. Ela sempre tinha o controle das situações, SEMPRE. Dessa vez, o prazo estava chegando ao fim.... e ela queria saber o que fazer quando ele realmente acabasse. E se nada for como ela pensava que seria? E se o que ela tinha planejado não acontecesse? E se ele não ficasse com ela? E se o bonitão que ela pensava no outro dia, enquanto via a chuva na varanda, não chegasse à tempo?No fim do prazo, ela só queria um abraço. Um abraço que coubesse no dela.
O rapaz, por sua vez, pensava na vida que ele levava. Ele tinha uma vida agitada demais pra idade dele. "Quero me acalmar", ele dizia. Ele via a menina e nela, também via um porto seguro. Via coisa boas, via felicidade, inteligência (até demais). Pela cabeça dele - me disse uma vez que conversamos - passava o fato de que ela poderia lhe proporcionar boas coisas e um bom relacionamento - ela poderia ser a pessoa que ele tanto procurava.No final das contas, ele era, sim, cobiçado, mas queria um porto seguro pra deitar a cabeça no colo, quando o dia acabasse. Ou pra tomar café de manhã quando saísse da festa.
O rapaz lhe sorria e esperava sua reposta calmamente. E ela, só esperava que, no final, as coisas fossem bem clichés: ela queria o tal banco para se assentar. Era isso: ela não queria escolher entre esperar um amor e a comodidade de um amor: ela queria um final feliz.
domingo, 8 de abril de 2012
Esperando.
A menina olhava a chuva cair pela varanda da sua casa e pensava. E eu, mais uma vez narradora observadora, prestava atenção no desenrolar da história daquela menina, de olhar tão vago e cabeça tão cheia.
Ela pensava, pensava, pensava. Admirava a chuva com uma vontade de estar sentada rindo e pensando em como seria bom ter alguém pra estar admirando a chuva com ela. Ela não sabia o que tinha acontecido, porque ela, normalmente, não era assim. Ela era durona, sabe? Não era de ficar de mimimi.
Aquele rapaz tinha mexido com o juízo da menina. Às vezes, ela desejava não o ter conhecido, mas aí então ela colocava Roberto Carlos pra cantar todos os Detalhes deles dois e pensava no quanto todos os momentos haviam sido especiais.
O rapaz era aquele tipão alto, bonito, que de vez em quando vinha aqui no prédio. Eu, a narradora observadora, sempre o via chegar. A menina mudava a cara quando ele aparecia. Quando ele não vinha, era sempre o marasmo da rotina.
Ela continuava pensando enquanto a chuva caía. pegava o celular, devolvia pro lugar. Queria ligar, falar, mas não ia. Tinha se prometido ficar quieta a partir de então...
Ela ainda procurava o banco para se assentar...e dessa vez ela queria ter achado. E lá no fundo ela sabia que sim, era teimosa. E que estava sendo insistente até, quem sabe. Eu, a narradora, até diria que ela estava sendo ousada demais.
Mas a menina sabia até onde podia ir. Ela sabia o seu limite. E sabia que ele era caprichoso, e arriscava pensar até que ele estava com medo. Mas era só um palpite. Ela sabia, de certa forma, que ele pensava nela, também. Ela não podia confirmar, mas achava que sim, ela não estava sentindo errado. E ela tinha opções... e não os deixava seguir. Ela era cobiçada, a menina! Porque não sorria de volta para a sorte que chegava?
A menina levantou, apagou a luz da varanda e fechou a porta.
Eu, fiquei aqui torcendo de dedos cruzados pra esse amor, quem sabe um dia, florescer igual às florzinhas amarelas que amanheceram abertas na varanda dela nesta manhã.
quarta-feira, 14 de março de 2012
O amor aos 5 anos
Eu, descabelada, abro os olhos e olho o relógio: "putz, tô atrasada".
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Em trânsito
E a menina, mais uma vez, sonhava.
Era ela a andarilha, agora. E não havia achado um banco para se assentar.
Ela, sim, continuava em busca de um rumo. Logo ela, que tanto já viajara.... que tanto já conhecia do mundo. Precisava de um mapa. Mas parecia um mapa de tesouro - e o tesouro tinha sido escondido por um pirata.
Ela, com tantos carimbos no passaporte, não conseguia achar um simples banco confortável para sentar e ver a vida tomar seu curso normal.. Ela queria ver os comerciantes passando, os operários trabalhando, os velhinhos alimentando os pombos, os casais namorando.
Um único banco, em que ela pudesse, quando cansada, deitar, e olhar as estrelas e sentir a companhia de vários pontos de luz. Somente.
"Vai ser em um jantar", alguém disse a ela, um dia...
Será a cadeira alta o suficiente para que ela sente sem balançar suas pernas curtas e se sentir, enfim, segura?
Ela esperava que sim. Ela só queria se sentir segura. A cadeira nem precisava ser luxuosa. "Poderia até ser um banquinho de cimento", ela pensou. Em seguida, pesou se não estava se contentando com pouco - afinal, ela só queria sentar...
"Lover, you should've come over...", cantarolou Jamie. Ela, então, deu uma última olhada pela janelinha do avião. Reparou na toalha de mesa que parecia o mundo lá fora... "talvez eu precise me assentar em mim. E aprender a tricotar".
Pegou as malas, desceu do avião, olhou de novo pr'aquele mapa - imaginário - do tesouro, tentando colocar pegadas imaginárias que o levassem a ele, e teve a quase-certeza de que não ia ser dessa vez. (Nota da narradora observadora: ela esperava estar bem errada, nesse ponto).
E consolou-se, mais uma vez, na cadeira dura e desconfortável daquela sala de embarque.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Enough.
Não sou perfeita e nunca quis ser. Nunca tive a intenção de ser engraçada, também.
Pelo visto, estou longe da perfeição, mas continuo sendo super engraçada. A amiga que todo mundo queria ter. Mas guess what? Nunca tive a intenção de ser sua amiga, either. Não quero muitos amigos: quero poucos e bons. Fiéis. Que não duvidem de mim e da minha integridade. E não mudaria nenhum dos que já tenho. Eles me entendem quando preciso que entendam.
Não quero mais a confusão. Quero distância de pensamentos errados, dos meus próprios pensamentos errados. Não quero mais a verdade mentirosa de que tudo vai ficar bem, no final. Não, não vai.
É tudo uma questão de opção: as coisas vão ficar bem, praqueles que merecem. Você, não. A felicidade e o amor não dependem dos outros. Só dependem de você. E você não faz por onde. Portanto, get a life.
Não quero mais toda essa intensidade. Quero pouco, e o suficiente para chegar em casa e não achar que carreguei o mundo nas costas hoje. Só queria uma dia em que o mundo não estivesse em minhas costas. Queria poder dormir, um dia. E acordar a hora que quisesse, sem precisar saber quantos compromissos perdi ou tive de desmarcar.
Quero a irresponsabilidade de uma vida sem responsabilidades. Quero amor pra vida inteira. Quero paz e tranquilidade. Quero um passaporte carimbado. E a minha cama de casal com a foto de Paris na parede do fundo. Quero o sapato da vitrine que combina com aquela roupa da festa do outro dia. E poder comprá-lo sem me sentir culpada pela fome na África. Aliás, quero ir à África. E quero um sofá branco. "mas sofá branco não mancha?" Dane-se, o sofá é meu. Quero sentar nele de pés sujos e alma lavada.
Quero tudo hoje. Quero me livrar dos meus medos, preconceitos, do meu cansaço.
Quero dormir e acordar. Mas acordar com vontade de colocar a malha e ir correr na praia, só porque faz bem à saúde. Ou porque eu tenho tempo pra isso e adoro sentir a brisa do mar no rosto enquanto escuto jazz. Não, eu sei que jazz não é a música perfeita pra correr, mas vai dizer que você não gosta do Sinatra? Por ele, it had to be you e não tinha jeito de ser diferente.
Quero um dia sem peso. E nele, quero poder fazer as coisas que me vem à cabeça. Quero sentar no banco da praça e dormir com o vento tocando no rosto. Um cobertor, um aconchego. Um abraço no fim do dia. E apague a luz quando sair.
Quero tudo.
Principalmente, me livrar de mim.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Eu e Deus
Cheguei, Deus.
Cheguei onde eu queria chegar: num estágio em que, cada vez mais, eu tenho certeza de que não sou nada sem Ti.
Naquele estágio em que nossa relação é única, em que confio, em que sei que posso conversar qualquer assunto contigo sem ter vergonha, sem precisar me esconder, ou usar máscaras.
Eu sei que Tu estás comigo. Simplesmente SEI. Porque, além de saber, eu Te sinto, e sei que estou no lugar que eu preciso estar: perto de Ti. E sei que sou humana e posso errar, Deus, mas não quero mais errar. Quero estar e andar de acordo com a Tua vontade, com a Tua santidade, com a Tua sabedoria.
Quero ser sábia em Ti.
Quero ser fiel a Ti.
Quero esperar em Ti.
Eu finalmente cheguei, Deus, àquele ponto em que eu queria: de saber que tudo o que eu fizer pra te agradecer pela minha vida, não vai ser nunca suficiente.
Quero que minha relação contigo, Senhor, seja única. Pessoal. Intransferível. Sem formas.
Quero estar sempre de joelhos pra te louvar, pra orar, mesmo quando as lágrimas tomam o lugar das palavras. E mesmo quando o desespero vem, que eu tenha sempre a certeza em Ti de que a alegria vem no dia seguinte. Ou até mesmo quando nem as palavras aparecem. Eu não sei falar crentês, Deus, e às vezes me culpo por isso. Mas também sei que Tu não te importas, desde que o meu coração esteja disposto.
E está.
Eu cheguei, Deus. E quero viver na Tua presença.
Amém.
domingo, 15 de maio de 2011
Lost Dreams
And what if one day your life changed? What if everything you have always asked for came true?
Dunno. I wouldn't know what to do with it. I wouldn't know what to do with so much happiness, and so much perfection. With less jealousy, and more trips and a yellow Beetle. And marble floor. Or maybe I would even know what to do with the guy in white pants, opening the curtains to let the sunlight in.
Maybe I wouldn't like a beach wedding, with an orchid bouquet and flowers on my hair.Maybe I would hate Milla singing (although this one I serously doubt it). and I'm SURE I would hate the seafood I would serve!
And you kow?
I thought I would have it all with you.
Maybe I expect too much from people. I always expected them to be just like me. I don't mean that I'm, the best. I mean that I want all that friendship can offer. I want all that love can offer. I want all that life can offer.
I want all that intensity can offer, with no limits. I wanted to sleep, sometimes, too. Without taking medicines to do so. I wanted to feel that I don't complain, and don't expect anyone to understand my feelings. Yes, I expect people to understand why I say the same stuff all the time because for me, there are different feelings all the time I say the same stuff. So, for me, it's like new.
I'm tired.
Ok, then.
I expected you to see that I liked you and that you were the love I've always wanted to live, again and again (I've said that and now it has a different feeling).
But...
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Someone Like you
O luz dava um tom diferente à taça de vinho, na mesa dela.
A garrafa, já pela metade, já ouviu metade dos problemas da vida.
A menina, que hoje não tem os olhos brilhantes e nem a alegria de viver, sente vontade de sumir.
Ela estava lá, esperando por uma resposta que não tinha. Por um momento que não chegava. Por uma vida que, talvez, não fosse existir.
E escrevia. O papel, não mais em branco, tinha mudado. Já estava cheio de rabiscos incompreensíveis.
Sem lógica, sem rumo. Palavras ao vento, ao som de uma canção um tanto conhecida...
Ela não sofria, porém. Estava conformada...estava calejada.
Continuava sentindo a fome da saudade que Clarice havia previsto... aquela que só mata quando come a presença. Quando consome, quando vive, quando sente. Quando abraça.
Era diferente, pra ela. Era melhor. Ou era normal, já que tinha tantas vezes a mesma situação?
Ja não sabia dizer.
Ela tinha uma única resposta, e a escreveu no papel:
"Voce é o amor que eu sempre quis viver."
----
;*
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Oser dans la vie
E, no fim do dia, ela estava cansada.
Cansada de esperar, de sentir, de partilhar, de viver.
Cansada de escrever, também.
Era um déjà vu.
Ela via tudo igual. As mesmas perguntas, as mesmas desculpas, as mesmas respostas.
Tudo igual.
E ela, que pensava que tudo seria novidade, não era, ainda.
Eram as mesmas coisas. E ela, que pensava que dessa vez ia dar certo, vivia a dúvida da última resposta.
Uma resposta que eu já conhecia e já estava cansada de ouvir... mas que eu tinha a esperança de ser diferente.
E ela sabia que, o problema de ouvir a mesma resposta, era ter a mesma dúvida. A mesma vontade de gritar, a mesma vontade de perguntar um grande "porquê eu, meu Deus".
E ela... ela já estava cansada de ouvir as mesmas respostas. Queria respostas diferentes, dessa vez. Mas o problema é que não havia.... ela sabia disso. Não havia.
Então, ela sabia a solução: esperar... ter paciência....um dia as coisas mudariam.
A questão é: quando é esse dia?
Mas, ela... estava cansada. Cansada da vida ter os mesmos problemas.
Logo ela, que estava lá, disposta a mudar os móveis de lugar.
Ela, que estava lá a fazer dieta, a comprar um carro novo, a trocar fraldas, a ver um filme de terror, a fazer pipoca com a tampa da panela aberta. Que estava disposta a visitar a psicóloga, a tomar suas vitaminas regularmente, a fazer as unhas e a comprar roupas diferentes. A deletar seus arquivos antigos.
Ela. Aberta ao novo mais uma vez, sendo ele atraente ou não.
Ela queria abrir sua vida, de novo. Queria falar menos, queria viver mais. Queria escrever um livro. Ter um filho. Plantar uma árvore. Viajar pra China.
Não importava, ela queria ousar.
Queria provar outro gosto, queria viver mais aventuras.
Tinha sede da vida e das respostas para as suas perguntas.
Queria problemas novos, perguntas diferentes, respostas desconhecidas.
Ela só queria ser feliz.
beijomeliga ;*
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Passion and Patience, again.
"I wish I had the voice to melt your heart. And in my finger tips the melody to make you smile. I wish I had in my eyes some kind of strength fountain, so you’d look at them and be encouraged every time. I wish you’d find life in my breath, and faith in my arms. I do. I’ve always wanted to be the one for you".
And you know? Maybe I am the one for you. But I wish you'd noticed that.
I wish you had noticed the way I look at you. I wish I had in my eyes the energy you look for. To continue, to fight. A place where you go and get strength from.
I wish I had the voice you expect me to have. A voice that gives you support, kindness, hapiness. The first voice you want to listen to when you wake up. Or the last when you go to bed.
I do.
I wish that we could see things. Go to places, talk to people, eat the best food, drink the finest wine.
Everywhere. The world would never be enough for us. And I also wish we could do that together, hands together, side by side.
I've always wanted to be the one for you.
I wished one day that, when you hold me, you could feel my love. Now I just wish you feel you can be safe. You can feel held, you can feel comfortable. You can feel me.
I wish you could feel my heart racing when you come around. I wish I could get all the love I have and make it the peace you want to see in the world. The love you want people to have, the word of comfort you give everybody. And it's rewarding seeing your smile when that happens. Your smile have always changed all my plans. Always. I wish we could dance...and let the music lead our ways that moment so it could last forever.
And faith. I wish I could give you faith. I wish I could make you trust that it will all change. That all is safe if you have faith, if you believe, if you trust, if you fight, if you give yourself....
You know?
I've always wanted to be the one for you.
---
tchaubeijomeliga ;*
PS: Passion and Patience é um texto do blog A Menina dos olhos brilhantes que eu, com a minha maior delicadeza, completei pra dona. Né? =)
quinta-feira, 17 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
do avesso
Deus.
Bíblia.
Conceição e Roberto.
Cássio e Alzenira.
João Guilherme, Daniel Filho, Alice.
J and Sarah Thompson, e Carlos e Sandra Flores, e Ingrid Defazy. Não, não... os Oakley não.
Amigos, todos os muitos deles.
Passaporte.
Vistos.
Paris.
New York.
Toronto.
Escrever.
Ensinar.
Câmera.
Fotos.
Muitas fotos.
Cores.
Lua cheia.
Mar.
Barcos.
Avião.
Borboletas.
Camarão.
Salada.
Chocolate.
Morango.
Chocolate com Morango.
Vinho.
Champagne.
Livros.
Poesia.
Livros de Poesia.
O Vinícius e o Drummond.
Música alta.
Música no carro.
Amigos e Música juntos.
Playlist #atiracovarde.
Jazz.
Estrelas.
Lilás.
Vestidos.
Saltos.
Maquiagem.
Internet.
Celular.
Celular com internet.
Abraço.
Cheiro.
Gosto.
Amor.
Amizade.
Sinceridade.
Felicidade sempre.
Sorriso.
Surpresa.
Casamento na praia.
A voz da Milla cantando.
Afilhados.
Crianças.
Olhos.
Papo de menininha.
Novidades.
Muito, muito legal.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Seroplex
E ele estava lá, encarando-a.
Branquinho, pequeno, bonito.
Aquela era a saída para todos os seus problemas, para começar um ano bem, um ano feliz.
Depois de todo os sorrisos, de todos os objetivos alcançados, de tanta coisa...
Depois de cortes, de cicatrizes, de sofrimento, dor e angústia e depois de felicidades, de tamanhos menores, de mais leveza na alma e no corpo.
Elau estava triste sem motivo?
Não sei explicar. Não é assim que funciona o sem motivo?
O novo não atrai. Aliás, o novo tem seus problemas, também. E eles te deixam com mais problemas na cabeça. O novo, na verdade, é bom, mas conserta uma coisa que quebra outra.
Não parava de me olhar... ele dizia: "vem, vem.... eu te faço feliz".
Ela hesitou. Estava confusa. Queria um motivo pra não ter que fazê-lo, mas não encontrava nenhum.
Ela era feliz, antes. E agora, era feliz? Ela não sabia responder.
Ela sabia que, sim, tinha chegado muito longe em seus objetivos, mas não sabia se era feliz. Ela acreditava piamente que não existia felicidade plena, mas sabia que os momentos de felicidade que ela teve depois tinham compensado todo o sofrimento.
Mas, e agora? Eles compensavam?
Ninguém a pressionava,a não ser ela.
Ninguém a cobrava, a não ser a cabeça dela.
Ninguém a mandava voltar ou seguir, a não ser o corpo dela.
Ela se olhava no espelho e citava Cecília. Quem lhe havia roubado a face? Em qual espelho ela se perdeu?
Ela não sabia responder, ainda. Só sabia que, lá no fundo, ela sabia que ela hoje, era resultado das suas próprias decisões. As olheiras profundas eram a prova disso.
Ela o considerou. Ele continuava lá, olhando-a.
10 mg.
Ela engoliu, com a esperança de uma solução pros seus problemas.
Tchaubeijoenaomeliga ;*
PS: texto pensado a partir de uma cena de filme. resolvi escrever essa observação pra vcs pararem de achar que vou me matar! hahahaha!
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Au revoir, 2010!
E mais um ano se acaba.
Dessa vez, a gente ainda aproveita pra mudar de década, também. E chega a hora de fazer a nossa famosa lista de compromissos pra 2011.
Mas, ao invés de encher a minha lista de coisas que talvez eu nunca faça, resolvi agradecer por este ano.
2010 mudou minha vida.
Vai ser o ano em que morri e vivi de novo.
Vai ser o ano em que eu me livrei de 40kg, e me livrarei de muitos mais em 2011.
2010 vai ser o ano em que vi os corredores de uma UTI por 5 dias da minha vida, e não pretendo vê-los de novo nunca mais.
Vai ser o ano em que eu realmente vi quem são meus amigos, e aprendi que muita gente que você conheceu ontem te considera mais do que alguns que te conhecem a vida inteira, ao mesmo tempo que meu amor pelos amigos de anos atrás aumentou de forma considerável.
Vai ser o ano em que eu fiz fisioterapia, eu tomei remédio, eu chorei de dor. Vai ser o ano em que me olhei no espelho e detestei minhas cicatrizes.
Vai ser o ano em que fiz terapia, em que redescobri Deus, em que equilibrei meus pensamentos.
Certamente 2010 será pra sempre o ano do "antes" e "depois".
Vai ser o ano em que amei mais minhas crianças, que batizei meus afilhados (ou não). Que os filhos dos meus melhores amigos nasceram e eu os amei como se fossem meus.
Vai ser o ano em que tive que aprender a ter paciência, a ser tolerante, a ser compreensiva.
Vai ser o ano que mais uma vez arrumei as malas e parti rumo ao desconhecido, e vai com certeza ser o ano em que voltei pra casa. O ano em que deixei mnha família no Brasil, mas que achei outra família na França, tão feliz e estruturada como a minha.
Vai ser o ano pra ficar na memória, como aquele em que a minha família aumentou com a chegada de mais um componente.
Vai ser o ano em que eu comecei a usar o twitter e com ele fiz muitos amigos, e vai ser o ano que me orgulhei de ser jornalista quando vi um artigo publicado no jornal.
Em 2010, me orgulhei de dizer pros gringos que sou brasileira e não desisto nunca!
Em 2010 eu vi Paris de novo, eu pisei na neve de novo, eu conheci mais pessoas ainda. E coloquei mais um carimbo no meu passaporte!
Nesse ano, eu aprendi a dar mais valor às pessoas. Aprendi a dar valor a uma lata de sardinha com farinha e guarná jesus da mesma forma que a um fois gras com moët chandon.
Aprendi a ter tolerância com culturas diferentes, aprendi a valorizar um beijo, um abraço, um cheiro, uma música, um sabor, uma lembrança.
Aprendi, inclusive, que lembraças, essas sim, estarão sempre a salvo. E que nada que alguém faça vai apagá-las da minha vida. Nem mesmo as ruins, viu?
E em 2010, aprendi também que seus amigos vão ser seus amigos independente de onde você esteja, e a falta que eles fazem não vai ser compensada em novas amizades. por outro lado, as novas amizades vão dar uma nova cor à sua vida, também. E que encontrar os velhos amigos, por uma tarde que seja, é simplesmente mágico!
E foi o ano em que ouvi o Jamie Cullum cantar ao vivo! uma experiência linda!
2010 vai ser um ano em que eu vi meus amigos se dando bem. Vi minha família se dando bem. Também os vi se dando mal, mas com certeza com muito aprendizado envolvido.
E vai ser um ano em que eu dei mais aulas do que nunca!
E eu posso dizer que em 2010 eu me despedi de casa olhando nos olhos verdes de um grande amor... e dei entrada pra outros amores chegarem, me dando toda a tranquilidade que eu precisava pra viver em paz com o mundo.
Em 2010, vi a minha vida mudar completamente. 2010 is a year to remember.
tchaubeijomeliga ;*
sábado, 23 de outubro de 2010
Pai e Mãe, ouro de mina
Quando você mora fora, você começa a valorizar tudo o que você tem em casa e nunca achou que gostava. Coo aquele travesseiro velho, por exemplo. Mas hoje, você vê que ele tem a posição exata da sua cabeça desde que você tem 3 anos de idade.
Quando você mora fora, você percebe que seus pais e seus irmãos e sua família e seus amigos são as pessoas mais importantes da sua vida, e talvez você nunca tenha dito isso a eles.
A saudade de casa é a pior coisa que existe. Deixa o seu coração apertado, a sua garganta seca e a cabeça doente.
O brasileiro é um povo feliz. Liguei pra minha casa um dia e lá estava tendo uma feijoada pelo simples fato de que meus pais reformaram um banheiro e estavam "inaugurando". Feijoada, zoada, amigos reunidos. Sinto falta disso. Aqui na França, essa é uma vida que não existe. E nem é porque eles são frios, não. Eles simplesmente são diferentes, e se a minha opção foi vir morar aqui, que eu aprenda a aceitar estes fatos.
Sempre fui do pensamento de que, se você aprende a conviver com as diferenças, você vive melhor. Em todos os ambientes da vida, eu digo. Se você aprende que aquele cara do trabalho que não gosta de apelidos é simplesmente diferente de você, que chama todo mundo de um nome diferente, e a partir daí você o chama só de João, você tem o respeito dele e aprendeu a viver melhor, com mais um amigo. Assim tnho vivido meus dias aqui: aprendendo a respeitar as diferenças, a ausência da minha rotina de sempre e a presença de uma rotina beeeem diferente do que eu já estava acostumada.
Por outro lado, sinto do fundo do meu coração que aqui é o meu lugar. Que é aqui que quero morar, constituir família, trazer meus não-sei-quantos sobrinhos pra passar o natal com a Tia Rafa. Me sinto em casa, apesar de sentir falta da minha própria casa. De verdade. E sei que estes sentimentos de saudade são presentes SEMPRE, eu já os senti várias vezes, de uma forma até doída às vezes. Mas me fascina a forma que eu posso ajudar a inserir minha cultura na cultura francesa, o fato de que posso escrever de longe pra um jornal e mostrar pras pessoas como é a minha vida fora, o fato de que posso aprender outras línguas e ter a honra de ter um amigo em cada canto do mundo. A vida de quem mora fora é assim: globalizada. Estar na Europa é estar a um pulo de um país diferente e você começa a colecionar bibelôs. Um de cada lugar diferente.
E além de bibelôs, você coleciona amigos e histórias pra contar. E a cada vez que as conta, você revive na lembrança a felicidade daquele momento, o gosto de aventura, a magia daquele lugar maravilhoso que você teve a oportunidade dada por Deus de visitar e de passar bons momentos ali.
Pra mim, viajar é isso: viver e reviver a magia de cada lugar do mundo que Deus criou.
e tchaubeijoemeliga que eu tô atrasada ;*
domingo, 12 de setembro de 2010
Recomeçando
Ele empacotou tudo em duas malas grandes e não acreditava que a sua vida se resumia àquelas duas malas. Era difícil acreditar que ia embora, que ia mudar de cidade, de clima, de família, de amor, de amigos. Era complicado pensar que não ia mais vê-los, mas ele tinha certeza naquele momento que seu lugar não era ali. Precisava mudar. Alguma coisa dentro dele pedia pra ver mais coisas, viver mais um pouco, conhecer mais gente, falar mais uma língua. Sua alma não se aquietava, não conseguia. E logo, ele sabia que realmente, dessa vez, ele não voltaria nunca mais. Não sabia explicar, mas sabia que agra sua ida era definitiva.
Tinha tudo pronto na cabeça. Não sabia como faria para colocar em prática no dia-a-dia tudo o que pretendia, mas sim, tinha tudo planejado. Sua mania de perfeição não ia deixá-lo falhar, ele sabia que, no fundo, era um defeito chato, pois nem sempre tudo é perfeito, mas pode ser aproveitado. Tinha alguns dias pra fazer na cidade tudo o que ele achava que ia demorar um bom tempo pra fazer de novo. Queria se despedir dos amigos e das namoradinhas.
Era um homem de muitos amigos, portanto, iria demorar. A cada dia, se despedida de um bocado. Festas e mais festas, vida social agitada, bebida e comida. Muitas vezes, ao som do Bublé, ou não, né? Nesse intervalo, queria fortemente estar na companhia dos sobrinhos e da família. Tinha três sobrinhos, ele. Tinha um amor enorme pelos dois, como se fossem filhos de verdade. Não eram de verdade, mas com certeza eram no coração. Ganhou presentes dos amigos mais próximos e também deu presentes. Ia sentir tanta falta de tudo.... eles nem imaginariam o quanto. Nunca poderiam imaginar o papel deles na vida daquele homem, tão calejado pelos problemas da vida normal, mas forte o suficiente para saber amar cada um com suas particularidades.
Tirou um dia inteiro para se despedir só das namoradinhas. Um dia inteirinho! Ele não tinha todas essas namoradinhas, mas queria passar um tempo com cada uma delas. Ai, primeiro, ele resolveu almoçar com uma delas. Comeram, conversaram e se despediram normalmente. Um grande abraço e até mais.
A outra ele resolveu ir visitar em casa. Queria vê-la mais tempo, ele gostava muito dela. Já havia gostado bem mais no passado, mas ele ainda gostava de vê-la sorrir. Ela era alta e bonita, com cabelos escuros e usava aparelho nos dentes. Sentaram na calçada e passaram horas a fio conversando, aquele clima de tensão no ar, de beijo na boca. Ele queria muito beijá-la. Queria, mas não tinha coragem. E seguiram conversando, seus olhos fixos nela, na sua boca, na sua pele. Era realmente coisa de pele, ele gostava do cheiro da menina. Gostava do jeito que ela o via, achava que ela o olhava com um quê de “tira a roupa” e isso lhe causava frisson. Ele a achava bonita e sexy, mesmo com seu jeito desengonçado. Falaram, falaram, falaram e então ele resolveu ir. Deram um abraço apertado, bem apertado, tão apertado que ele tinha certeza que ela podia sentir o coração dele acelerado encostado nela. Ela o beijou no pescoço; ele queria beijá-la, queria muito mesmo, mas se conteve, pois tinha certeza que a fidelidade dela era importante, e ele não queria corrompê-la com seus caprichos. Por um momento, ele virou a cabeça, a fitou nos olhos e quase a beija. Quase! Mas resistiu, infelizmente. No caminho pra casa, pensou seriamente em voltar e dizer a ela para aproveitarem só mais uma noite, só mais um pouco, um único beijinho... mas seguiu rumo à solidão do seu quarto escuro.
O dia amanhecera diferente no outro dia. Era difícil dizer tchau, afinal. Faltava ainda uma menina a ser visitada, mas a vida foi mais engraçada. E ai, de repente, aquele amor estava lá, sentado na cama dele. Ela, que tinha sido o maior e mais recompensador de todos os amores, estava lá, na frente dele, esperando para lhe dar um abraço. Fez coisas inusitadas: estacionou, tocou a campainha e sentou na cama dele, meio à bagunça do quarto e aos amigos que o visitavam. Ele não conseguia tirar os olhos dela, ela era simplesmente linda! Conversavam sobre tudo, evitando qualquer outro tipo de assunto que não era a viagem. Ela olhava as fotos das cervejadas no mural dele e perguntava por amigos antigos, que ela lembrava, da época em que estavam juntos. Quando deu sua hora, ela levantou para ir-se. Ele a acompanhou até a porta e se abraçaram. Sua vontade era dizer a ela muitas coisas, era beijá-la e abraçá-la forte para que ela o convencesse de ficar, mas ele a abraçou algumas vezes. Ele sentia que ela também estava triste e queria dar-lhe um beijo, mas ele sabia que se a beijasse, ele ficaria mais triste ainda. Ele queria sim, dizer-lhe que ela havia sido o seu mais forte e verdadeiro amor e que agora ele continuava amando-a, mas agora era diferente. O amor era diferente, o carinho era enorme, a vontade de beijá-la era tremenda, mas ele sabia que de nada adiantaria. Ele queria muito ser seu amigo para toda vida e sabia que um beijo não cabia no momento. Nem um beijo de despedida. Ela casaria com outro mais adiante e ele se contentou em sentir que ela estava triste por vê-lo partir.
Subiu no avião com os olhos mareados lembrando de seus momentos. Ele, então, se despediu dos livros, dos discos, de alguns sapatos, de uma penca de amigos, da família, dos sobrinhos e levou no coração o amor de tudo e de todos, sabendo que agora recomeçaria em outro lugar na presença de novos amigos e na saudade dos que ficaram do outro lado do trópico e, quiçá, um novo amor, tão grande, intenso e recompensador como o que teve por aquela menina dos olhinhos verdes.
Tchaubeijomeliga! ;*
PS: Este é um conto. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência =P
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Por Acaso, Pela Tarde
Ela era educada, de boa índole, estudara em boas escolas. Era bonita, até. Andava sempre com gente mais bonita do que ela, mas ainda assim chamava a atenção dos homens de lá. Era charmosa, tinha carisma e falava bem.
Ele era simples. Terminou a faculdade por obrigação - "pra ver se conseguia passar num concurso", ele dizia. Não se interessou em estudar mais, dizia que o trabalho era o que dignificava o homem. Não se interessava por roupas de marcas, não gostava de ler, comia rápido e não entendia de carros, o que pra ela era um ponto extremamente positivo. Andava com a barba sempre por fazer e era muito cheiroso.
Ela falava três línguas estrangeiras e já quis ser diplomata, um dia. Hoje, se contentava em advogar. Era criminalista. Tinha uma paixão retraída por vinho suave, mas se dizia entender de vinhos brancos e secos. "Melhor tomar com peixe ao forno, sempre uma boa pedida", gabava-se.
Ele só bebia cerveja. Gostava mesmo era de comer tripinha frita no bar do Seu Geraldo. Aquela bem gordurosa e misturada com farinha. A página policial era o seu prinicipal atrativo em um jornal. Ele valorizava boas amizades e tinha mais amigos na praça do que dinheiro no banco. Mas vivia bem. Não esbanjava, mas vivia bem. Tinha o que precisava e ainda sobrava pras festas do final de semana.
Ele e Ela não se conheciam, mas tinham coisas em comum. Ela e Ele gostavam e fotografia, de barcos à vela, de frango à milanesa. Pensavam em passar um carnaval em Salvador, um reveillon em New York, uma Semana Santa na Turquia. A lua de mel nas Ilhas Maldivas. Queriam casar - de véu, grinalda, gravata borboleta e fraque. Não se atrasavam, pagavam as contas em dias, iam ao cinema de vez em quando.
Ipanema, colorida pelo sol, ficou pequena praquele dia. O vento ajudou soprando o chapéu dela pra perto dele. Ele, com sua gentileza de berço, percebeu.
"Oi! Esse chapéu é seu?"
E foi assim, por acaso, pela tarde, que o mundo parou pro resto da vida.
tchaubeijomeliga ;*
PS1: Atualizando.... eu sei....escrevo quando eu quiser, ok? =p
PS2: Não, não vou conseguir me despedir de todo mundo, mas sintam-se beijados e amados por mim.
PS3: "Por Acaso, Pela tarde" é o nome de uma música de Celso Fonseca, e inspirou este post, escrito ao som dela...
